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Romaria do Espírito Santo anima Largo dos Olivais até 31 de maio

 Por Zilda Monteiro

A Romaria do Espírito Santo está de volta a Santo António dos Olivais. Esta festa histórica vai animar a freguesia e a cidade até ao final do mês. O Largo do Olivais está transformado num verdadeiro centro de diversão, com os carrosséis, as peças de barro e louça e o cheirinho das farturas e da sardinha assada a atraírem miúdos e graúdos.

Começou no domingo a Romaria do Espírito Santo, uma festa histórica que todos os anos atrai milhares de pessoas ao Largo de Santo António dos Olivais. Até ao final do mês, a freguesia vai manter-se em festa.

Tal como manda a tradição, encontra-se dispersa pelo Largo a louça e barro de Miranda do Corvo; cutelaria; artesanato português, indiano e do Equador; brinquedos; sapatos e flores. Mas nem só de exposição e venda se faz esta festa. A animação é uma das suas principais atrações, com os carrosséis infantis e os stands de tiro ao alvo a atraírem muita gente, assim como a sardinha assada, o presunto e queijo, as pipocas e as famosas farturas, sabores típicos que deixam no ar uma deliciosa mistura de aromas.

Organizada pela freguesia de Santo António dos Olivais, a Romaria do Espírito Santo promete “muita música e muita alegria” até ao dia 31 de maio. Para Francisco Andrade, presidente da Junta, esta festa histórica e emblemática é preparada a pensar na população, procurando “adaptar-se ao presente sem esquecer o passado”.

Este ano, o autarca decidiu fazer algumas alterações, em termos de espaço. Assim, não foi permitido instalar tendas nos corredores em frente à Igreja mas foi diminuído o tamanho das tendas existentes, de forma a que, no mesmo espaço, coubesse o mesmo número de barracas.

“Contamos com a presença do mesmo número de expositores do ano anterior e ainda conseguimos colocar uma barraca de tiro ao alvo, outra de chouriços e queijos e um pequeno carrossel, três vertentes que também eram tradicionais da Romaria”, explica.

Francisco Andrade lamenta que algumas das tradições da Romaria do Espírito Santo se vão perdendo ao longo dos anos mas compreende que isso advém da própria evolução dos tempos. “Quando se fala na antiga Romaria do Espírito Santo recordamos a louça de barro estendida pelo recinto, em terra; falamos das pessoas que vinham de carro de boi trazer o seu almoço e que vinham para ver a animação; falamos das sanfonas que se faziam ouvir…”, recorda.

Como hoje isso já não é possível, a Junta vai adaptando a festa às necessidades dos tempos modernos. E há coisas que nunca mudam na Romaria do Espírito Santo. O ambiente festivo do Largo, o colorido das barracas, o aroma adocicado das farturas misturado com o da sardinha assada e, sobretudo, o convívio, a partilha e a animação.

“As pessoas continuam a vir à Romaria. Mesmo com este tempo de chuva temos tido bastante gente. Por muito que se evolua, as pessoas regressam ao Largo do Olivais. Isso é muito bom sinal”, frisa o autarca.

Assim, ontem como há séculos atrás, a animação e a afluência do público mantêm-se no arraial. E se hoje se diz que a Romaria do Espírito Santo já não é o que era, há 100 anos atrás também já havia quem dissesse o mesmo.

Francisco Andrade recorda um artigo publicado em 1909 na Gazeta de Coimbra, que dizia: “A feira do Espírito Santo já não é o que era porque as meninas da cidade já não vieram tanto ao recinto como costumavam vir. Este ano inventaram uma sanfona que em nada se parece com o acordeão. O caso mais saliente foi que uma sopeira deu uma bofetada a um magala (tropa). Talvez porque o vinho este ano fosse mais forte”.

“É muito engraçado verificar que já nessa altura se dizia que o Espírito Santo não era o mesmo. Agora em 2009, com a vida de hoje, sabemos que temos que nos adaptar, até porque já ninguém vem aqui comprar um patinho de barro porque diziam que dava sorte ou uma panela. A vida é diferente, já não há lareiras, já não se cozinha ao lume e, assim sendo, é fácil perceber que não podemos continuar no passado. Temos que nos adaptar e os comerciantes só vêm à feira se fizerem negócio”, explica.

A Junta de Freguesia aposta também muito na vertente da animação, apresentando um programa muito diversificado. Amanhã, às 16h00, atua o Grupo de Danças e Cantares do Mondego e no domingo, às 17h00, o Rancho Folclórico e Etnográfico da Cova do Ouro/Serra da Rocha. No dia 23 atua, às 17h00, o Grupo Folclórico “As Morenitas de Torrão do Lameiro” (Ovar) e, no dia 24, às 17h00, o Grupo Regional de Folclore da Benedita (Alcobaça). No dia 30, as 21h00, há música ao vivo para dançar e o melhor par de dançarinos, na modalidade de tango e valsa, será premiado com uma Taça. No dia 31 atua, às 21h00, o Coro Misto da Freguesia de Santo António dos Olivais, uma atuação que promete muitas surpresas, já que será a apresentação oficial deste Coro, composto por 48 elementos, todos da freguesia. De referir ainda que, na próxima quarta feira (dia 20), às 18h30, será celebrada uma missa por alma dos autarcas já falecidos.

A Romaria termina no dia 31 mas a festa vai manter-se na freguesia. Seguem-se, as Marchas Populares, com as tradicionais fogueiras no Largo dos Olivais e em Celas e com as festas populares no Vale das Flores, de 9 a 24 de junho. Francisco Andrade promete “festa rija, com muita música, muitas tendas e muitos carrosséis”. Promete também uma “grande surpresa” para dia 13 de junho, com as marchas populares que contarão com a forte presença das coletividades da freguesia.

 

Romaria do Espírito Santo remonta ao século XIII

 

A festa do Espírito Santo sempre foi a que chamou maior número de romeiros a Coimbra. Há registos desta festa desde o século XIII, chamando-se então Festa do Imperador e celebrava a ligação de Eiras ao Mosteiro de Celas e à Ermida do Espírito Santo, no coração da cidade.

Esta romaria era conhecida também como a romaria das “campainhas”, nome proveniente das louças e brinquedos de barro vermelho lá expostos e vendidos, provenientes sobretudo de Miranda do Corvo.

Segundo relatos da época, a Santo António dos Olivais afluíam ranchos de bonitas raparigas, cumprindo promessas, aproveitando para folgarem em danças, ao som de violas e flautas.

O povo espraiava-se pelas escadarias do antigo convento, à sombra dos pinheiros mansos e das oliveiras, onde comiam os farnéis, que neste dia era, geralmente, melhorado.

A Romaria do Espírito Santo mantêm-se até à atualidade, no adro da Igreja de Santo António dos Olivais, contudo, com as alterações próprias da evolução social.