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Jantar de Gala assinala 100 anos do Sport Club Conimbricense

 Iolanda Chaves e Paula Alexandra Almeida

O Sport Club Conimbricense, coletividade sedeada na Baixa de Coimbra, no Pavilhão da Palmeira celebra este ano 100 anos de atividade ininterrupta. O ponto alto é o Jantar de Gala a realizar na próxima quarta feira, dia 3 de fevereiro. Nasceu ainda com a Monarquia, a 3 de fevereiro de 1910, e prosseguiu caminho lado a lado com a República, implantada a 5 de outubro. O Sport Clube Conimbricense assinala este anos, tal como esta última, o seu centenário com várias atividades e esperança no futuro.O programa comemorativo não está ainda completo, estando a direção ainda a trabalhar nesse sentido e a ponderar um evento que projete a coletividade para o exterior. O presidente, Carlos Ferreira, admite a realização de uma iniciativa para figurar no livro de recordes Guiness. No mínimo, será feito “algo que dê nas vistas”.Para já, amanhã e domingo 30 e 31, está calendarizado o primeiro estágio da seleção nacional de karaté, uma das modalidades desportivas que o clube promove, e dia 3 de fevereiro realiza-se a gala de aniversário, em que serão homenageadas figuras relevantes para a instituição e da cidade, estando prevista, antes, uma Missa em memória de todos os sócios e atletas falecidos.Em novembro ou dezembro, será lançado o livro evocativo do primeiro centenário que está a ser escrito pelos jornalistas Paulo Marques (Diário As Beiras) e João Campos (Jornal de Notícias).Ao longo do ano, realizar-se-ão diversos eventos associados às várias modalidades que mobilizam cerca de duas centenas de atletas, nomeadamente basquetebol (seniores), futsal, tiro, karaté, ju jitsu, kickboxing e muay thai.Nestes 100 anos de história, o clube teve momentos áureos de que são prova os vários troféus que ostenta, entre os quais o do 1.º Campeonato Nacional de Basquetebol, realizado em 1932-33.Para a Comissão de Honra foram convidadas várias individualidades, tendo já confirmado o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o Presidente da Câmara e o Reitor, entre outros.Futuro passapor novo pavilhãoTer um pavilhão novo, de forma a garantir todas as condições regulamentares para a realização de jogos oficiais e boas condições de trabalho, é um objetivo há muito acalentado por quem toma conta dos destinos da coletividade.Em 2000, a Câmara Municipal de Coimbra prometeu um terreno e indiciou-o (na zona do Ingote/Monte Formoso), mas questões de propriedade não permitiram que a doação fosse concretizada até ao momento, segundo Carlos Ferreira. Agora, revelou a “O Despertar” o presidente da direção, há uma outra hipótese de um terreno que é da autarquia e que fica localizado próximo do primeiro e também na freguesia de Santa Cruz. Os responsáveis do Sport esperam que tudo seja anunciado durante a Gala, na próxima quarta feira.Aliás, numa recente campanha de angariação de atletas, muitos dos pais, quando viram as condições do Pavilhão, “assustaram-se” e acabaram por não deixar que os filhos ali ficassem para a prática desportiva.Uma das particulares do Sport Club Conimbricense é o facto de os atletas não pagarem para praticar desporto. Será, mesmo, caso único no concelho, segundo os respetivos dirigentes. Aliás, como se refere numa brochura com a história dos primeiros 80 anos do Clube, “nascido num tempo em que o desporto era entendido da maneira mais nobre na sua função educativa, tem sabido honrar as tradições”.Um novo Pavilhão, além de, obviamente, proporcionar boas condições e segurança aos atletas — o que não acontece agora, dada a idade provecta do Pavilhão da Palmeira —, poderá também vir a permitir ao Clube alargar o leque de modalidades e, eventualmente, vir a cobrar a um outro leque de praticantes interessados em usar as instalações.“Enquanto aqui a prática é absolutamente gratuita”, reforça o vice-presidente Gualter Lucas, “se pudermos oferecer outras condições, até a uma camada diferente da população que hoje servimos, poderemos eventualmente vir a cobrar pela prática e pela utilização das instalações”. Uma opção que poderá contribuir para a sustentabilidade do projeto.A predominância dos atletas são infantis e juvenis. O basquete sénior está a disputar a segunda divisão nacional — mas se passar à fase final do campeonato não poderá jogar no Pavilhão da Palmeira —, enquanto no futsal as equipas estão nos campeonatos regionais.Houve uma altura, aliás, desde o início até talvez à década de 80, em que o Sport era a equipa dos comerciantes da Baixa de Coimbra. Questionados sobre quais os motivos que poderão ter ditado o divórcio atual, Carlos Ferreira e Gualter Lucas, não entrando em pormenores, recordam um conjunto de gestões danosas que provocaram o afastamento de muitos. Uma discoteca, uma sala de jogo cujas receitas nunca apareceram, subsídios que nunca apareceram e foram mesmo justificados com faturas de refeições, foram alguns dos problemas que, no entender dos dois responsáveis, poderão ter sido responsáveis pelo afastamento dos comerciantes.Esta direção pretende reativar essa ligação, mas para já falta disponibilidade e meios financeiros para poder contratar alguém que possa assegurar os serviços do Clube em termos administrativos e acolher as pessoas que ali se deslocarem.Entretanto, em março, realizam-se eleições, por esse motivo também o programa comemorativo do centenário está incompleto. A escolha dos novos corpos sociais deveria ter ocorrido em dezembro, mas não houve candidaturas. A atual equipa pondera ainda se vai ou não recandidatar-se.História ricaque marca Coimbra

O Sport Club Conimbricense é uma coletividade de Utilidade Pública com o grau de Cavaleiro da Ordem de Benemerência. No início denominado Sport Grupo Conimbricense, o clube “saiu de um núcleo de desportistas que se dedicavam especialmente a exercícios de forma, uma das atividades mais populares na época”, refere-se na brochura “Sport Club Conimbricense - 80 anos de História 1910-1990” da autoria de Rui Vasconcelos.

 

De acordo com essa história do Clube, os principais animadores da ideia da criação foram Esmael d’Almeida Chuvas, Daniel Rodrigues e Sílvio Nogueira Seco. No dia 3 de fevereiro de 1910 alugaram um quarto do segundo andar do prédio n.º 44 da rua da Moeda, por 60 reis por mês, ara sede do grupo. A primeira reunião dos sócios fundadores teve lugar no dia 6 daquele mês, pelas 12 horas, com o fim de constituir a coletividade e nomear os primeiros dirigentes.

 

A história continua e, um mês depois, Diamantino Diniz Ferreira, diretor e proprietário do Colégio Mondego (Pátio da Inquisição), cedeu gratuitamente uma sala espaçosa e foi ali, a 6 de março, que os dirigentes do grupo resolveram que as cores da coletividade seriam o verde e o branco. Foi também no Pátio da Inquisição que começaram os exercícios de pesos e halteres e de luta greco-romana, sob a orientação dos sócios Esmael d’Almeida Chuvas, Daniel Rodrigues e Ângelo Madeira.

 

Pouco tempo depois, o Sport Club Conimbricense passou para a Praça do Comércio.

 

A primeira organização do SPort foi uma excursão pedestre a S. Marcos, em 20 de março de 1910. Um mês depois seguiram-se diversas visitas a monumentos da cidade, e em maio passeios de barco a Penacova e Montemor-o-Velho e, pela primeira vez, os seus atletas participaram num sarau no Teatro dos Bombeiros Voluntários.

 

No dia 10 de julho de 1910 foi criada uma escola de ciclismo para sócios, tendo sido professores Francisco Ferreira, José Júlio Costa Freire e Esmael Chuvas. A escola teve bastantes associados e eram frequentes os passeios aos arredores da cidade.

 

Em maio de 1911, o Sport deixou as instalações da Praça do Comércio e instalou-se numa casa da rua Velha, então propriedade do comerciante Francisco da Cunha Lucas. Como a casa tinha várias divisões, os dirigentes resolveram criar aumentar o leque de modalidades e, além de pesos e halteres, luta greco-romana, ginástica e ciclismo, começaram também as lições de patinagem e esgrima. O Clube funcionava diariamente das 21h00 às 23h00 e aos domingos das 10h00 às 12h00 e das 15h00 às 17h00.

 

E em 1911 surgem os primeiros prémios para atletas do Sport. Em agosto, nos 1.º Jogos Olímpicos Internacionais de Lisboa, Esmael Chuvas obteve o segundo lugar em pesos e halteres e António Pereira ganhou o título de Campeão de Portugal na sua especialidade.

 

Agosto de 1911 foi também o mês da mudança de nome para Sport Club Conimbricense, sob proposta do sócio Francisco Relvas, praticante de pesos e halteres.

 

Dois anos depois o Sport enviou a Lisboa Ângelo Madeira que conseguiu o título de Campeão Nacional de luta greco-romana na categoria de leves.

 

Mais dois anos e, em 1915, surgia o futebol, com a inscrição da primeira equipa do Sport na recente Associação Foott Ball Conimbricense. Os treinos eram realizados na Ínsua dos Bentos.

 

A luta greco-romana, então com cerca de 30 praticantes, assumiu protagonismo com a conquista da primeira taça pelo Sport, em 1917.

 

Em 1919 o Clube mudou para o Largo da Freiria, surgindo também um jornal com o título “Sport”, que acabou pouco tempo depois.

 

Nos anos seguintes o Sport alargou as suas modalidades ao tiro — cujos atletas foram responsáveis pelo atual símbolo do Clube, um alvo com as cores vermelho e negro e uma águia. O tiro rapidamente se tornou numa das modalidades que mais sucesso trouxe ao Clube, nessa época, juntamente com o ciclismo que também teve um grande incremento.

 

O Sport Club Conimbricense, que em 1925 tinha passado para um edifício da Avenida Navarro, conheceu tempos áureos até 1930, surgindo entretanto o basquetebol e sendo inaugurado, em 1928, o Campo do Arnado, a 28 de outubro, um marco na história do Clube. O Arnado era, então, o grande parque desportivo da cidade, tendo mesmo acolhido finais do Campeonato Nacional de Futebol.

 

Em 1932 surgia o andebol e o Sport conquistava o título de Campeão Nacional de Basquetebol, proeza que repetiu ininterruptamente até 1946.

 

As ‘novas’ instalações desportiva — as atuais, na Rua Simões de Castro — foram inauguradas a 26 de fevereiro de 1943. Como no local havia uma grande palmeira, ficou conhecido como Campo da Palmeira, denominação que ainda hoje acompanha o Pavilhão do Sport.